terça-feira, 26 de janeiro de 2016

COM A CULPA SÓ NOS RESTA SOBREVIVER, POIS O VIVER, ELA DEVORA

Há uns dias escrevi sobre o medo de sobreviver e o de viver. Agora quero escrever sobre um medo específico que me preocupa. Como ser eu mesma sem sentir culpa?

Desde pequena sempre tive medo de errar, de falhar, de passar vergonha, de ser "pior" que os outros, de ser fraca, de ser nervosa demais, de ser bruta demais, de ser do contra demais, de questionar mais que o permitido. Não que eu deixasse de fazer tudo isso por medo, mas deixei algumas vezes, e nas que fiz, me culpei por ser "assim".

É verdade que não tenho memorias de antes dos meus 12 anos. É tudo preto, como se eu tivesse nascido nessa idade. Não lembro de nada da minha infância até então, e por mais que eu me esforce, o máximo que consigo são uns poucos flashes e todos envolvem momentos que não fui a filha esperada, que falhei, que ouvi "por que você é assim? por que faz isso?" 

Não quero culpar meus pais por ser esse poço de culpa hoje. De forma alguma. Tudo que ouvi foi porque além de ser a mais velha, sou a filha mais "diferente", a mais difícil de lidar porque não sou como minha mãe, e lidar com o novo é muito difícil para ela, e para o meu pai também. 

Eu simplesmente nasci o oposto do que eles esperavam, e a cada ano que passava isso foi se confirmando, principalmente porque meus irmãos nasceram e desenvolveram suas personalidades como o esperado por eles. Daí as perguntas que tanto ouvi, tentei explicar e não consegui. Daí as brigas, os castigos, palavras que abriram feridas na alma de ambos os lados e que ainda não cicatrizaram. 

Hoje sei que tudo que ouvi deles foi uma tentativa de me entender, foram atos desesperados pelo medo do que eu poderia me acontecer. A raiva já amansou, mas o sentimento de culpa que eu desenvolvi ainda permanece, e é com ele que eu queria aprender a lidar. Ele veio de conflitos, de palavras, gritos, castigos, choros e da frustração de não "me encaixar" por mais que eu me esforçasse.

Não é que hoje eu não goste de mim, da minha "diferença" e do que ela me tornou. Com o tempo aprendi a gostar, mas isso me atormenta até hoje. Toda vez que preciso tomar uma decisão que vai de encontro ao que meus pais consideram "correto", "de respeito", "bonito de ser feito" sinto que eu sou a pior pessoa do mundo, que eu estou falhando e fico procurando motivos para pensar como eles. Motivos que por sinal quase nunca acho. 

O fato é que me tornei uma pessoa cheia de culpa por coisas que minha razão me diz que não há problema algum. Eu só queria aprender a lidar com a emoção, pois não deixo de fazer o que eu acho "correto" porque não coincide com o que me foi "ensinado", mas porque eu faço e sinto o peito pesado, tenho pesadelos horríveis sobre a opinião dos meus pais em relação à minha decisão, choro dias antes e depois, perco o sono, fico com raiva de mim mesma por ser assim e não saber melhorar.

E a única conclusão que consegui chegar até hoje é que ter controle sobre a nossa racionalidade não é nada perto de ter controle das nossas emoções, e não dá pra viver tendo um ou outro, só sobreviver, e isso não é o bastante para mim, quero viver.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PORQUE FAZER FACULDADE NÃO É SINÔNIMO DE TER SUCESSO NA VIDA

Todo mundo age como se faculdade fosse o caminho para o sucesso, para um emprego bom, para você ter valor na sociedade. Te contar um segredo: não é m*** nenhuma. A gente estuda 4, 5 ou 6 anos no mínimo para sair de lá na maioria das vezes sem proposta de emprego, ou com uma proposta que não te permite nem pagar as próprias contas no fim do mês. 

Aí você me diz: "Ah, mas quem leva a faculdade a sério não passa por isso, quem estuda de verdade não vive isso." Aí eu te conto um segredo: "Eu fiz isso, ah como fiz, meus colegas, amigos e família, assim como professores são prova viva disso. Assim, como outros colegas também fizeram, e sabe onde estamos hoje no nosso caminho para o "sucesso"? No mesmo ponto de onde começamos a estudar quando entramos na faculdade. É isso mesmo!"

Aí você me diz: "Nossa mas no que você formou?" E eu te respondo: "Só pra constar não faz diferença o curso. Tenho amigos das áreas mais diversas que passam pela mesma coisa, mas fiz direito."  Vem aquele olhar de desprezo e a chuva de perguntas: "mas você não tirou OAB? Então advoga ué" ou "É só você estudar pra um concurso de juiz, promotor e você fica rica".

Pronto né! Simples assim. Só que todo mundo esquece que nem todos queremos um concurso, que entrar em um escritório significa trabalhar mais de 8hs por dia, sob pressão, cada semana em um local e ganhando muitas vezes menos que pessoas que não fizeram faculdade ganham.

Não me entendam errado. Ao contrário da maioria que acha um absurdo uma empregada doméstica, uma babá, um cabeleireiro, um pedreiro, e outras profissões que na cabeça das pessoas não requerem "nem um 1/3 do tempo de estudo que eu tenho" ganhar o mesmo tanto ou mais que "eu que estudei horrores para ser alguém na vida", eu não vejo problema algum nisso. Fico muito feliz por sinal por eles. Até porque a sociedade requer todos os tipo de profissão, e não só as com diploma, e porque não acho que é o tempo de estudo que deve ser a medida para o que você ganha, mas sim sua capacidade de fazer o que escolheu. 

O absurdo pra mim é a lógica do mercado que te diz "faça faculdade e você ganhará bem, viverá bem, e não será 'escravo de ninguém'". Aí quando a gente forma e vai tentar um emprego vem: "Tem experiência?" "Hum, não. Acabei de formar." (não serve, tinha que ter ao menos 2 anos de experiência). "Fala quantas línguas?" "Duas: inglês e espanhol (profissional caro, bastava o inglês, OU todo mundo fala isso, devia ser alemão, francês). "Quanto você gostaria de ganhar?"  "Uns 7 mil." (Tá louca?  Maluca? O inicial máximo aqui é R$2.500) "Casada?" "Não". "Pretende?" "Sim." (Já era, casamento é sinônimo de menos eficiência e dedicação) "Quantos filhos?" (tanto faz sua resposta aqui: se você tem já é ponto negativo, se não presumem que você terá: gastos para a empresa) "Por que você escolheu nossa empresa?" "Porque ela expressa meus valores e blá, blá, blá " (nessa eles nem ouvem sua resposta, porque já sabem que é o que você fala pra todas, assim todo mundo, porque a verdade não é elegante "porque estou atirando pra tudo quanto é lado porque ninguém me quer") "Quais suas três maiores qualidades e defeitos?" "Paciência demais, capacidade de liderança, eficiência; e perfeccionismo, não sei lidar com injustiça, muito exigente comigo mesmo" (ninguém presta atenção, sabe que é tudo pesquisado no google e decorado) 

Assim seguem as perguntas hipócritas e as respostas mais ainda. Todo mundo sabe quais perguntas virão e como respondê-las. No fim, a entrevista não significa nada. Ela é feita para te eliminar, não para te avaliar, e o que sempre te contaram é só mais uma "História da Carochinha".
 
A verdade é que cada dia é exigida maior qualificação, maior "disponibilidade para a empresa" e em troca um salário menor. A gente tem que ser equilibrista para ficar na corda bamba para conseguir um emprego e ganhar uma porcaria que nem sequer daria para nos sustentar.

Se somos qualificados demais, somos caro demais. Se somos qualificados de menos, não serve. Se somos mulheres, já perdemos pra qualquer homem que estiver querendo a vaga, porque ele "não engravida, nem cuida das crianças." Se processamos nosso empregador anterior porque ele não cumpriu a legislação trabalhista em relação aos nosso direitos, já era. Ninguém quer alguém que possa processá-los, mesmo que só estivéssemos buscando algo nosso.

Enquanto isso, quem não tem família, amigos, conhecidos no ramo que escolheu fica aqui se qualificando loucamente, se desdobrando para conseguir um emprego com um salário no mínimo respeitoso, e se sentindo cada vez mais um "ET" na sociedade. 

Então minha conclusão de hoje é muito simples: o erro está no sistema, na ideia falha de meritocracia. 

E a quem se encontra na mesma posição que eu peço uma coisa: Vamos agir para mudar o sistema ao invés de perpetuá-lo. Vamos nos qualificar para que fazer faculdade realmente signifique algo. Para que as pessoas sejam selecionadas por sua capacidade, não só por custos, números e infinitos processos seletivos que todo mundo já sabe como funciona. Para que de fato possamos ter todos a mesma chance conforme nossa idade, nosso perfil profissional, e nossas habilidades e capacidade de aprendizagem no que será demandado de nós. Para que não precisemos ouvir a próxima geração reclamando que é um absurdo quem estuda menos ou nada, ganhar mais que quem estuda anos. Para que a próxima geração não veja nisso um problema, mas entenda que precisamos de todo tipo de profissão, e que nenhuma vale mais que a outra.  Para que entendam que os salários devem ser o mais equilibrado possível para que possamos viver em maior igualdade, e não em um mundo que 1% da população possui 99% da riqueza.
 

sábado, 23 de janeiro de 2016

A HORA DA VERDADE: ANSIEDADE, PÂNICO E DEPRESSÃO: LUTAR OU ME ENTREGAR?

Marquei uma consulta com meu clínico geral. Mais que médico ele é meu amigo e confidente. O único médico que eu tinha certeza que me diria se eu tinha algo ou não. O único que tem coragem de me dizer o que preciso ouvir mesmo quando não quero, que sabe exatamente o que falar quando preciso, que me conhece há anos e sabe não só como meu corpo funciona, mas também minha mente e coração. 

Quando entrei no consultório aqueles olhos azuis, que tenho certeza que podem ver minha alma, me encararam por um segundo antes do abraço acolhedor. Contei a ele o que tinha me levado a procurá-lo. Ele conversou mais de hora comigo, me pediu exames para saber se havia algo físico ou se era algo emocional. 

No dia que retornei com os exames ele me explicou que não era algo no meu corpo, mas na minha mente. Ele disse que tudo o que eu vinha passando desde 2013 estava pesando... Era muita coisa para uma pessoa só, e que a minha mania de querer cuidar de todos e salvar todos me manteve firme enquanto fui necessária para os outros, mas o dia que pude respirar de novo eu desabei. 

Era princípio de 2015 isso. Mas eu já tratava por transtorno de ansiedade e pânico desde 2013. Os remédios me ajudavam a controlar as crises. O suor frio, a dor no estomago, na barriga, no peito, nas costas, a tonteira, a sensação de desmaio, a falta de ar, o tremor, a variação de pressão e a sensação de que ia morrer foram diminuindo com o tratamento. Começaram a durar menos tempo, comecei a conseguir controlar o que estava acontecendo, e quando achei que tinha superado, que estava bem, passei por tudo o que contei ontem.

Morrendo de vergonha olhei pra ele e perguntei: "Por que eu? Por que eu sempre sou a fraca? Por que eu tenho que preocupar todo mundo com tudo o que estamos passando? Por que eu não podia ser normal como o resto? Por que eu não deixava de existir de uma vez? Por que não podia por a cabeça no travesseiro e nunca mais acordar? Por que o mundo não podia acabar naquele instante?" 

Com um sorriso no rosto, os olhos cheios de carinho e sabedoria ele me respondeu; "Porque cada um de nós é único, e reage de uma forma diante das dificuldades que passamos. Você não é fraca, não dá trabalho extra para os outros. Na luta pela sobrevivência de lidar com tanta coisa difícil e dolorosa ao mesmo tempo sua mente buscou uma saída, não quer dizer que você não possa assumir o controle e melhorar, mas aceite ajuda para tanto."

Foi quando as doses dos meus remédios começaram a aumentar, e passei a tomar mais de um. Eu havia chegado ao fundo do poço, e o que me restava naquele momento era subir de volta. E foi o que comecei a fazer. Aceitei ajuda da minha família, do meu namorado e dos amigos que amam. 

Quando me senti forte o bastante segui o conselho do meu pai e procurei uma psicologa, pois sabia que os remédios só anestesiavam a dor, mas não cuidavam da causa. Isso tem 8 meses. Continuo medicada, continuo na terapia, mas há 6 meses já não desejo a morte, nem que o mundo acabe. Raros são os dias que me acho um peso, e a empatia volta cada dia mais forte. 

Não estou curada, mas acredito que um dia posso ficar. Sei que a caminhada é longa, dura, e lenta, mas já não me sinto mais sozinha, inútil, descartável. Quando fraquejo minha mãe segura uma mão e minha irmã a outra. Quando caio, meu namorado me carrega. Quando tropeço, meus amigos me ajudam a tratar a ferida até ficar só a cicatriz. 

Eu tive sorte. A ansiedade, o stress, o pânico e a depressão me derrubaram, me tornaram apática em relação a tudo, me fizeram sentir descartável, me fizeram abrir pequenas feridas para trocar a dor emocional pela física, me fizeram começar a morder com tanta força que cheguei a paralisar o lado esquerdo do corpo por uma semana. Me fizeram chegar na janela e me perguntar "e se?", quase me fizeram atravessar na frente de um ônibus, me fizeram desistir de comer, de tomar banho e torcer para a vida acabar já que eu não servia nem pra pôr um fim nela. Mas almas boas interferiram por mim, espíritos elevados lutaram por mim, papai do céu me abençoou, o amor de mãe, de irmã, de namorado e de amigos me deu forças e vem me reerguendo a cada dia. 

Por hoje chega, já falei muito. Amanhã conto como a terapia também tem um papel fundamental na minha recuperação, e porque mesmo sem gostar, eu persisto nela.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

CANSAÇO EXCESSIVO, CONFUSÃO (SENTI)MENTAL, INDIFERENÇA A VIDA, CULPA

Hoje quero começar a escrever sobre uma doença que enfrento há pouco mais de um ano. Por muito tempo tive vergonha de falar dela, mas agora falar me ajuda.

No início achava que eu não tinha nada, só cansaço acumulado. Dormia e esperava o "cansaço" ir embora. Com o tempo percebi que não era isso. 

Passei a acreditar que eram meus hormônios bagunçados, por isso que eu chorava dias e noites sem saber porque e continuava a dormir tanto. 

Depois de um tempo comecei a sentir um vazio no peito, um buraco que me engolia, que me sugava. Seguia minha rotina no automático, não pensava, criticava, nem sentia; simplesmente vivia em uma indiferença sem fim. 

Quando as pessoas começaram a perceber algo errado fui me afastando delas, mantive de cia só meu namorado, que não entendia nada das minhas mudanças, vivia preocupado, fazendo de tudo pra me ver sorrir, mas eu não conseguia responder como antes. 

Eu olhava pra ele e me perguntava por que eu? O que ele vê em mim? E buscava desesperadamente uma razão, mas não achava. Com isso vinham as horas de silêncio, os choros, olhares vazios, e, mesmo assim, ele não desistia de mim, lutava por mim todos os dias. 

De repente passei uma semana sem falar com ninguém. Minha mãe não entendia nada. Me olhava com aquela cara de desespero de quem não sabia o que fazer. Meu amor me ligava dizia bom dia, eu te amo, e desligava. A noite ligava dizia boa noite, eu te amo e desligava. Nunca me pressionou para contar o que estava acontecendo. Ele sentia que tinha algo muito errado, mas não brigou, não apelou, nem cansou da situação. Sofreu calado porque apesar de não entender nada, sabia que eu precisava daquilo. A semana passou e finalmente ele me perguntou o que havia acontecido, e a minha única resposta foi: não sei. 

Depois passei para a fase de culpa. Comecei a pensar no tanto que eu era fraca, pois eu tinha tudo. Uma família boa, ótimos amigos, um namorado que movia céus e terra por mim, então passei a me questionar das razões de eu estar insatisfeita com a vida. Cheguei à conclusão que era egoísmo, egocentrismo, ingratidão. Foi uma fase que passou da dor, para o ódio em relação a mim mesma e chegou ao ponto de eu questionar porque ainda estava viva. Desejava a cada dia que seguia deixar de existir.

Parei de sair de casa durante a semana, e no final de semana só queria ir pra casa do meu namorado deitar e ver TV. Na verdade só queria deitar mesmo. A TV não me interessava, assim como mais nada. Só queria abraçá-lo, sentir o cheirinho de tudo bem que vem dele, porque ele renovava minha  vontade de viver, mas nem conversar direito com ele eu era capaz. 

Foi nessa época que depois de dormir 17hs um dia e minha irmã me perguntar se eu estava doente, se queria ir ao hospital, que percebi que tinha algo errado. Foi quando notei que vinha passando meu último mês deitada na minha cama por 17hs ou mais por dia, que tinha dia que eu não comia - não tinha fome nem vontade -, não tomava banho com a mesma frequência mais, não lia mais, só dormia, e quando acordava não era capaz de mudar nem de posição na cama.

Todas essas fases duraram meses, muitos meses, mas quando meu pai me chamou e disse "filha tem algo errado com você, procura ajuda, que do jeito que tá não dá mais, procura uma psicologa antes que seja tarde demais", nossa foi um tapa na cara. Afinal se ele tinha notado, realmente eu estava perdendo o controle da situação.

No dia seguinte entendi que eu tinha chegado num ponto que ou eu desistia de mim de vez, ou eu lutava por mim, e que pra isso eu precisava de um médico para me dizer o que tinha de errado. Eu realmente não entendia, ainda achava que era fraqueza de espírito, coisa de menina mimada, ingrata, mas resolvi perguntar aos especialistas, afinal sozinha com minhas suposições eu não estava chegando a lugar algum, não conseguia nem criar vergonha na cara para parar de lamentar e de fazer os a minha volta pararem de sofrer.

É eu tinha algo, ainda tenho por sinal. E provavelmente você já sabe o que é. Mas a continuação fica para amanhã.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

NÃO É PORQUE A CIÊNCIA AINDA NÃO EXPLICA QUE NÃO É REAL

Tem hora que certas coisas acontecem com a gente que não conseguimos explicar, e na nossa ânsia de dar um nome, um significado e um conceito para tudo, buscamos de todas as formas entender o que aconteceu. O problema é quando a gente falha. 

Ah, aí sim a coisa complica, afinal somos ensinados a acreditar no que pode ser provado pela ciência. Muitas vezes duvidamos de nossos olhos, ouvidos e sentidos porque não somo capazes de achar uma explicação lógica para o que vimos, escutamos ou sentimos. Alguns céticos dirão que não passou do nosso cérebro nos enganando, pregando peças.

O fato é que alguns poucos não tão céticos assim, com o tempo aprendem a confiar em seus instintos. Porém, para chegarmos a esse ponto é necessário desenvolver nossa autoconfiança, autocrítica, e autonomia em relação aos julgamentos que receberemos quando decidirmos trilhar nosso caminho. 

Não estou falando aqui de religião, mas sim de fé em nós mesmos. Nas nossas capacidades que não podemos entender, ver ou explicar, mas que sabemos que estão em nós. 

Acredito que todos nós já passamos por um momento na vida que chamamos de coincidência, destino, e até mesmo de "hora certa, no lugar certo" ou "hora errada, no lugar errado". Eu já não acredito nessas coisas mais. A medida que certas coisas começaram a acontecer fui aperfeiçoando minha capacidade de distinguir o que é real e não posso explicar, do que de fato é irreal, mera ilusão, fruto da imaginação, e até mesmo de enganação própria ou de terceiros. 

Não é fácil, muitas vezes é doloroso, mas eu sigo meu instinto cada vez mais porque desde que comecei a respeitar "minha energia" vivo mais do que sobrevivo. Não entendam errado, com isso não quero dizer que encontrei a felicidade plena, a paz,  porque não é verdade. No entanto, posso dizer que sinto com mais intensidade tudo a minha volta, vou aprendendo a respeitar mais o outro, vou aprendendo a ser melhor para o outro, 

Aceitar que essa parte de mim existe - ao invés de ignorá-la - e vivê-la com todas as suas consequências me ajuda a perceber que não existe o eu e o você, mas o nós, um todo completamente interligado que influencia cada parte por meio de uma cadeia de ações, e isso me estimula a procurar identificar e entender as ações boas para poder praticá-las, mas sobre elas já falei uns dias atrás. Hoje paro por aqui.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

MATERNIDADE NÃO É PARA TODAS, E NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM NISSO

Ser mãe é a forma mais pura de amar. Não ser mãe é não conhecer o maior amor do mundo. Quantas vezes já ouvi isso? Sei lá, perdi a conta há tempos.

A minha realidade é simples: não quero ser mãe. É isso mesmo, Você leu certo. Não tenho problema algum com minha decisão. Mas aparentemente eu incomodo milhares de pessoas com isso. 

Alguns me respeitam, mas dizem no fim "ah, é porque você é muito nova. Daqui uns anos isso muda." Detalhe: tenho 26 anos. Outros me olham e perguntam:"Mas e seu namorado? Não quer? Você vai fazer isso com ele?" Aí eu respiro fundo, engulo todos os palavrões, e respondo com um sorriso falso "ele entende", quando na verdade a vontade é dizer "isso é entre eu e ele, não te interessa! E de onde você tirou a ideia de que eu deveria fazer porque ele quer?"

O fato é simples: vivemos em uma sociedade patriarcal, e até hoje o papel fundamental da mulher é ser mãe. Escolher não ter uma criança é tido como algo anormal que precisa de tratamento médico e psicológico, pois não existe isso de "não quero, não é da minha natureza" porque "é da natureza de toda mulher ser mãe". Só que ninguém entende que isso não é verdade nem do ponto de vista biológico. Quantas mulheres são estereis? A diferença é que quando é um fator físico que nos impede de ter filhos o mundo entende, morre de pena; mas quando é porque a gente simplesmente sente que não veio ao mundo para isso, é doença ou distúrbio psicológico. 

Eu nunca quis ter filhos e pra mim minha resposta é o suficiente: "não é de mim, maternidade não está em mim, não faz parte de quem sou, da minha natureza". O problema é que não basta para o resto. Quantas mulheres sofrem por não quererem ter filhos? Quantas se acham de fato anormais por isso? Quantas nunca nem chegaram a pensar se queriam ou não ser mãe, só se tornaram mãe porque é o "curso natural da vida"? 

Me impressiona a incapacidade das pessoas de verem a mulher como uma alma dotada de escolhas, sentimentos, quereres, frustrações e dores, e a capacidade dessas mesmas pessoas de nos reduzirem a um objeto que tem um papel a desempenhar, assim como uma impressora, um grampeador ou uma geladeira. 

Me assombra as pessoas não pensarem na criança que poderia vir a nascer de uma mãe que não a quis, que o fez para "cumprir seu papel". Afinal, ser mãe é assumir uma responsabilidade por outra alma, não é uma profissão ou uma obrigação, é uma vocação, e nem todas nós a possuímos. Ser mãe é alimentar o corpo e a alma. Quantas crianças são abandonadas em lixeiras, igrejas, residências, pois as mães não quiseram tê-las? Quantas vivem com uma mãe ausente, que as veste, alimenta, educa, mas não cuidam da alma, pois se tornaram mães por obrigação? 

Já sofri muito por isso. Achei que tinha algo errado, Pedi ajuda à psicologa, a Deus e a minha própria mãe. E essa sim nasceu pra ser mãe. Na sua imensa sabedoria, capacidade de conforto e no seu amor infinito ela me disse: "não sei como não é querer ter filhos Fernanda, eu sempre quis, mas isso não te torna pior que ninguém, nem doente, só mostra que você é capaz de reconhecer quem é, e talvez um dia isso mude, talvez não. A verdade é que não tem problema."

E do conselho da minha mãe tirei uma conclusão sobre todas nós que optamos por ser tias, amigas, primas, irmãs, mas não mães: Somos inferiores, loucas, desequilibradas por isso? Não, somos fortes demais. Mesmo diante da pressão que sofremos, temos consciência do que a maternidade envolve e não destruímos uma vida para cumprir "nosso papel no mundo". 

sábado, 16 de janeiro de 2016

O FUTURO A DEUS PERTENCE. NÃO SOFRA POR ANTECEDÊNCIA. MAS COMO?

No início do dia de hoje escrevi sobre nossa incapacidade de viver o hoje tendo em vista o passado. A intenção era falar sobre o futuro também, mas com meus pensamentos desenfreados percebi que era melhor dividir em dois textos, já estava grande demais. Por isso as frases que serão meu ponto de partida agora são: "o futuro a Deus pertence" "não sofra por antecedência".

A pergunta aqui é se repete: O que está por trás dessas frases? Como conseguiremos deixar o amanhã por lá? O problema também não muda: a mesma sociedade que nos exige tanto ter em mente tanta coisa do passado, nos molda para termos um futuro todo planejado, e exige que vivamos o hoje. Haja hipocrisia. 

No post anterior está nas entrelinhas nossa preocupação quanto ao futuro. Na lógica: ensino médio, depois faculdade, depois emprego, depois sucesso, depois aposentar.

Agora quero usar de exemplo as perguntas dos encontros familiares: "Quando você forma?" "Vai fazer o que quando formar?" " Em qual área você vai trabalhar?" "Onde você vai morar quando sair de casa?" "Ou vai ficar com seus pais pra sempre?" "Não vai namorar ninguém não? Seu tempo está passando. Hoje é quem eu quero, amanhã é quem me quer" "E o namoro? Casa quando?" "E o primeiro filho? é pra quando?"

Só falta perguntar "E a morte? É pra quando?". Mas essa pergunta ninguém faz! Justamente a única que podemos responder honestamente sem sermos julgados: "Pra quando ela vier"! Ninguém gosta de pensar nela. É pesado né? Mas não é mais pesado do que viver fugindo dela. 

Não quero ser radical. Sei que temos que ter um mínimo de planejamento para sobrevivermos nesse modelo social que nos devora. Só quero que aprendamos a viver nele, e não só sobreviver.

Visto que nascemos com uma certeza na vida: a de que vamos morrer, e que não sabemos quando, por que gastamos tanto tempo planejando o amanhã que pode nem acontecer? Que tipo de sociedade é essa que construímos? De onde vem o horror trazido pela morte? 

Afinal, construímos esse modelo de sociedade pelo desespero de poder controlar o máximo que pudermos, já que não podemos controlar a morte? Ou, o modelo social que construímos nos levou a ter esse pavor de não podermos controlar a nossa única certeza - a morte? A resposta tanto faz. O fato é que somos seres planejadores, controladores, obcecados com o nosso futuro. E como lidar com isso? 

Ter em mente que controlamos o futuro é mera ilusão, é o primeiro passo. O segundo é aceitar que a morte é nossa companheira diária, e não a grande vilã. Ainda não sei quais são os próximos, estou lutando para dar esses dois ainda! Só sei que temos que começar por algum lugar.

A questão é que passamos tanto tempo preocupados com o que teremos ou não no amanhã, esquecendo o que temos hoje, que não vivemos o agora. Sobrevivemos em busca do que virá depois. 

Então quando nos disserem as frases lá do primeiro parágrafo e pensarmos: "É tá certo. Deixa pra lá, quando chegar a hora eu vejo o que faço", e quando falharmos em agir assim, saibamos que não é nossa culpa. Crescemos em um mundo que valoriza o ontem e o amanhã. 

Mas nessas horas lembremos do detalhe mais importante: somos nós que construímos a sociedade em que vivemos. Cabe a cada um de nós ir trabalhando aos poucos para mudar isso. Como? Comecemos por nós mesmos. Seguindo os passos acima perguntemos às pessoas como elas estão hoje. Não sobre o que farão ou serão amanhã. Todo o dia ao levantar saibamos que a morte está caminhando lado a lado com a gente, e que quando ela nos chamar, tudo o que esperávamos acontecer, tudo o que planejamos, não interessa mais. 

PASSADO É PARA FICAR POR LÁ, MAS COMO?

Sempre escutamos que passado é passado, que é pra gente superar, seguir em frente, viver o hoje. De fato nos focamos muito no que já aconteceu e esquecemos do agora. Mas por que será? O que ninguém nos conta é o que está por trás desse modo de vida e o que nos forma assim, e é isso que vou tentar expor com base na minha parca sobrevivência de cada dia.

O fato é que o passado a gente carrega todos os dias, pois hoje somos frutos do que vivemos ontem. Tudo o que vivemos nos molda a cada instante. Isso vale para nossa vida profissional, social, amorosa, basicamente para tudo. Aí a primeira pergunta que nos faço é: que passado é esse que tem que ficar para trás? A partir de quando? Do ontem? Da semana passada? Do mês passado? Do ano passado? Do dia que algo ruim aconteceu? 

Para mostrar como o passado é rotina e como somos ensinados a carregá-lo diariamente vou pegar o mais óbvio e o mais consome nosso tempo: nossa vida acadêmica e profissional.

Como vamos deixar pra trás os anos de ensino médio? Precisamos deles para passar no maldito vestibular, que não mede conhecimento nenhum, mas na hora de fazê-lo, naquele momento, temos que ter em mente no mínimo o que estudamos nos últimos três anos! Isso considerando que não iremos precisar de cursinhos. Aí a gente passa! Yes! Sucesso! 

Vem a faculdade e percebemos que precisamos ter em mente não só os últimos 3, mas os últimos 4, 5 ou 6 anos, dependendo do curso. A cada período que passamos escutamos: "mas vocês já esqueceram isso? Isso foi do semestre passado! E quando formar? Vão saber é nada". Mas uma hora nos formamos. Yes! Sucesso! 

Agora vou viver o hoje, uhum, vai sim trouxa. Vai ficar é repetindo "saudade da facu, melhor época da minha vida". "Ai se eu tivesse levado ela a sério, hoje ia ser tão mais fácil". O que vamos fazer é nos assombrar sobre o que fizemos e deixamos de fazer que poderia nos ajudar no hoje. Vamos passar por várias entrevistas, e a cada nova que surgir a primeira coisa que virá em mente: "o que fiz de errado na última e o que fiz certo?" A gente se prepara pensando no que já tentou e chega na hora vem a maldita pergunta "E qual a sua experiência?" Pronto, já era, rodamos. 99% das vagas vão nos exigir experiência prévia, mas como é nosso primeiro emprego engolimos seco e repetimos "bom, tirando o estágio, não tenho experiência". A depressão vem, junto com ela a ansiedade, até que finalmente conseguimos nosso primeiro emprego! Yes! Sucesso! 

O tempo passa e somos demitidos ou resolvemos pedir demissão. Ao procurar o próximo emprego nos deparamos com a pergunta crucial: "E o seu emprego anterior, o que aconteceu?" E assim vai até nos aposentarmos. 

Chega o grande momento! Aposentados! Yes! Sucesso! Cumprimos nossas obrigações e agora teremos nossa recompensa. Aí nesse instante percebemos que passamos 30, 35 anos ou mais e vivemos amarrados no passado planejando o futuro. Não sabemos viver o hoje. 

Nosso modelo de sociedade não nos permite esse luxo. E as poucas vezes que tivemos coragem de viver o hoje, foi com aquele sentimento de culpa, de que estávamos fazendo algo errado, e assim a vida passa e nós ficamos.

Agora você olha e me diz: nossa você que não entendeu nada! O ditado não é sobre isso, é sobre o que te fez sofrer, o que deu errado. Mas eu digo: eu sei, mas como que esperam que a gente consiga superar tais coisas, deixando-as pra trás se somos condicionados a vida toda a lembrar do que já fizemos para termos um amanhã? 

É muito fácil dizer pra deixar o passado de lado. Quero ver é a gente conseguir fazer. Apesar de sermos racionais e conseguimos entender que aquilo deve ficar no passado, mas isso não, não somos seres feitos meramente da razão. Somos emoção, e controlar a emoção é muito mais difícil do que usar a razão.

Então não nos culpemos pelo passado que nos persegue. Fomos feitos para carregá-lo conosco, até porque somos avaliados pelo sucesso profissional, acadêmico, pela capacidade de superação dos obstáculos, mas não pela capacidade de viver o hoje.

Por outro lado, não deixemos de tentar. Tenhamos em mente que somos nós quem construímos o modelo de sociedade, então cabe a nós mudá-lo, e a partir do momento que temos isso em mente, o primeiro passo para a nossa liberdade foi dado. Não obstante, não devemos nos iludir, a verdade é que nos libertarmos disso demanda anos de prática. Até lá vamos sobrevivendo condicionados pelo passado para termos o futuro. 


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PORQUE O ORGULHO É INCOMPATÍVEL COM A BONDADE

Escrever sobre ser uma pessoa boa é algo difícil. É óbvio que todos tentamos ser uma alma bondosa. O problema é que o conceito de pessoa boa muda conforme a criação, educação, cultura local, e, até mesmo, com o tempo. Cada pessoa é boa de uma maneira própria e o que a leva ser assim interessa mais ao mundo do que o que ela faz de fato. Sabe por quê? Simples: quanto mais diversificada forem as ações, melhor para a sociedade. Cada um faz o que pode, na medida que pode.

Por isso não vou falar sobre quais práticas são boas, mas sim sobre as motivações das nossas atitudes "boas", quaisquer sejam elas. O porquê de agirmos de certa forma é fundamental por um motivo bem básico: se for altruísta a comunidade ganha e nós também; se for egoísta, ambos perdemos. 

Aí eu nos pergunto: O que nos estimula a fazer o bem? O nos faz acordar todos os dias e dizer para nós mesmos "hoje é mais um dia na minha caminhada de fazer o bem"? É pela vontade de ajudar o outro? Pelo desejo de nos tornarmos uma pessoa melhor? Ou por esperar algo em troca? Por pensar que "se faço o bem hoje, amanhã ele me será feito"? Por um sentimento de obrigação?

No primeiro caso - o altruísta - trabalhamos sem esperar nada em troca, nem mesmo um "muito obrigado", agimos porque sabemos que o importante é o que fazemos, e não se as pessoas vão ou não reconhecer, se elas irão ou não nos criticar, reclamar e assim por diante. No segundo caso - o egoísta - colocamos nosso ego, orgulho, necessidade de aprovação social à frente do nosso feito, do que ele significa e e em que resulta. 

Nossas condutas ao longo do tempo resultarão assim em duas hipóteses: (1) Independente do que ganhamos com nosso ato, não deixaremos de realizá-lo no futuro por falta de reconhecimento, ingratidão, ou abuso da nossa boa vontade pela outra parte. (2) Conforme nossas expectativas não vão sendo atendidas, deixaremos de realizar nossas atitudes boas.

O fato é que nós somos movidos por ambas as razões consoante as situações que nos deparamos. Não estou dizendo que por isso somos ruins, falsos, que não deveríamos fazer nada então. O que eu acredito na verdade é que não custa nada nos esforçarmos o máximo para sermos altruístas. Assim, não nos cansaremos ou deixaremos de lado os atos de bondade porque esperamos algo que não vem, porque ninguém vê o que realizamos, ou porque muitos abusam, alguns ridicularizam e outros nos criticam. E ao mesmo tempo não guardaremos mágoa, rancor e dor. 

Ao construirmos algo sem esperar contrapartida, não importa quanta ingratidão a gente encare, teremos um motivo maior para perpetuarmos nossas ações: paz no nosso coração e o bem da sociedade como um todo. 

E quando alguém nos dizer, ou quando pensarmos que estamos sendo "bonzinhos demais", fica a dica: não importa o que a pessoa faz com o que você faz por ela, isso daí já é problema dela, não seu. Não é motivo para você deixar de ser "bonzinho demais". 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

AMIGOS E FAMÍLIA: EXISTE DIFERENÇA?

Amigos são a família que escolhemos. Você já pensou sobre essa frase? A profundidade dela? O significado dela? A gente escuta isso, repete isso, mas para e pensa qual o conceito de família que vem na sua cabeça quando você lê a frase. Na minha vem aquela família na visão tradicional. Os parentes de sangue: primos, irmãos, pai e mãe, avós, tios. É uma espécie de clã que você pode confiar sempre, que você pode até não gostar, mas que nunca pode virar as costas, que tem que defender sempre dos "outros", que você pode até brigar, mas tem que fazer as pazes depois, porque é família. 

Família nesse aspecto se reduz ao grau de parentesco, às pessoas mais próximas pela consanguinidade, que têm que ter maior importância e estar sempre em primeiro lugar, queiramos ou não. Então ao colocar que "amigos são a família que escolhemos" pra mim fica assim: já que não podemos escolher onde nascer, ao menos os amigos Deus deixa a gente escolher, porque aí eu decido quem é importante pra mim, quem eu amo mesmo, quem eu quero na minha vida. 

Mas, espera um pouco: Afinal, família é isso? É essa obrigação de valores? É essa obrigação de amar? 

Então não, amigos não são a família que escolhemos. Pelo conceito acima os amigos seriam só as coisas positivas que a família tem, certo? Porque você escolhe quem será, porque quem você não "gosta" fica de fora, porque o dia que você brigar, ninguém vai falar "mas ele é sua família, não pode!", "é seu irmão! sua mãe! seu pai! Você tem que relevar, perdoar "  "não pode ficar sem ver tanto tempo assim, que absurdo!". 

Aí eu penso: então amigos não são família! São amigos e pronto, são instituições diferentes! Como podemos igualá-los? Reduzi-los ao mesmo conceito? 

Por outro lado, se a gente considera que família é sinônimo de amor incondicional, de quem larga tudo por você quando você precisa, de quem ri sempre com você, de quem você ama apesar das diferenças, dos defeitos, dos erros, das escolhas, e vice-versa pra tudo isso, então basta dizer que amigos são família. A frase não precisa ter o "que escolhemos" simplesmente porque essa parte não faz diferença, porque o que importa não é onde você nasceu, o sangue, o que você escolheu colocar e deixar entrar na sua vida ou não, nada disso! Só o amor importa! 

Nossa que zona de pensamento! Acho que isso é uma das coisas mais loucas que já passou pela minha mente. Como diz minha irmã: "sério, de onde vem isso?"  e na verdade, sei lá de onde vem, mas veio né, e não dá pra ignorar. Penso nessas coisas horas, dias, meses e anos a fio. Talvez esse seja só um ditado popular para muitos, mas ele me perturba às vezes. 

Por hoje cheguei ao princípio de uma conclusão: Família é diferente de parentesco. Família são todas as formas que o amor toma, e assim fico com o ditado reduzido: "amigos são família" assim como os animais de estimação, e todos e tudo que amamos, seja ser humano ou não. 

Quanto a parte da minha família que coincidentemente é parente, a parte que conheci ao longo da minha caminhada, e a parte que nasceu comigo - que nossas mamães nos carregaram na barriga na mesma época, que nos afastamos por um tempo por conta de coisas da vida, mas que quando nos reencontramos é como se nenhum dia tivesse se passado - saibam que não vou citar nomes porque não preciso, vocês sabem quem são, só quero dizer: amo vocês.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

MEDO DE NÃO SOBREVIVER OU MEDO DE VIVER?

O medo é um instinto fundamental para a sobrevivência. Ele é uma espécie de despertador que toca sempre que nos deparamos com uma situação de perigo para nos mostrar quando devemos recuar. E aí eu pergunto: como sabemos o que é ou não perigoso? Isso não é algo que se nasce sabendo. Se fosse, não teríamos crianças atravessando a rua na frente dos carros, colocando a mão no fogo, subindo na janela de um apartamento que se encontra no ultimo andar, correndo com tesouras na mão. A única resposta que encontro então é: alguém nos ensina, e nós ensinamos a outras pessoas.
É um ciclo, e até então tudo bem. Medo é algo bom, que nos coloca em segurança. 

Eu só queria saber quando foi que as pessoas passaram a usar o medo para além de garantir a sobrevivência, avacalhar a vivência. É isso mesmo. No primeiro post expliquei que pra mim sobrevivência é uma coisa, vivência é outra. Então acho importante a gente aprender a separar as duas coisas para poder formar a nossa visão do que devemos ter medo, ao invés de só perpetuarmos o que nos foi passado, e começarmos a viver e não só sobreviver. E como fazer isso?

Pense, faça uma lista do que você teme: morrer? sofrer alguma violência? perder um ente querido? enlouquecer? de falhar em algo? de decepcionar alguém? de descobrir quem você é? de assumir quem você é? de expor sua opinião? de ficar doente? de terminar um relacionamento? de engordar tudo que você já emagreceu? de ficar careca? de matar alguém, mesmo que por acidente? de pintar ou cortar o cabelo e ficar horrível, e ter que enfrentar as pessoas comentando sobre você? de ser julgado por algo que você não é ou não fez? de não ter tempo pra fazer tudo o que quer? de não ter sucesso profissional? de ficar sozinho? de confiar nas pessoas? de ser ridicularizado? de errar? de não ser amado? de não amar? 

A lista é imensa, e pra quem buscar viver, e viver bem, feliz, sugiro uma técnica que funciona pra mim. Faça a lista dos seus medos. Pegue um papel e faça duas colunas, uma chamada sobrevivência, e outra vivência. Na primeira você coloca os medos que podem ter por em risco e acabar com sua chance de sobreviver e de viver, por exemplo, medo de morrer por violência, queimado, afogado, medo de ser picado por uma cobra. Na segunda você coloca os medos que você desenvolveu por preconceito, por vergonha, por orgulho, que se acontecer, o máximo que será ferido será um desses sentimentos, mas que você vai se recuperar depois, por exemplo, medo de engordar, de ficar feio, de fracassar, de errar, de ser despedido, de ser ridicularizado. 

Não se preocupe em listar tudo. Não mesmo, liste o que te assombra, o que te impede de fazer algo que você realmente quer, mas teme. Algo que te dá pesadelos a noite, que te faz passar por depressão, ansiedade. Liste os mais pesados. Separe-os, e você verá que a maioria deles estará na segunda coluna. E quando ver isso, lembre-se: medo foi feito para ajudar na sobrevivência, não para te impedir de  viver, de ser autêntico, feliz, e nem para manter seu orgulho intacto, para te prender em uma jaula, para te encaixar na sociedade.

Quando você conseguir enxergar isso já terá dado o primeiro passo pra descobrir quem você é, e começará a entender porque você é uma alma deslocada, ou começará a se tornar uma, e verá que isso não é algo tão ruim assim, que muitas vezes te dá coragem pra ser feliz.

Por fim lembre-se: medo que assegura sua sobrevivência é saudável. Medo que avacalha a sua vivência é algo a ser desconstruído. E em relação a esse saiba que é exatamente quando ele bate que tá na hora de você agir, pois se permanecer parado, pode ficar estagnado pra sempre. 

PERDÃO: SENTIMENTO? RAZÃO? SENTIMENTO + RAZÃO?

Hoje quero escrever sobre o perdão, algo que não aprendi ainda, que me persegue, me tira o sono, me perturba. Já cansei de ler sobre ele, de ouvir sobre ele e de vê-lo. Parece algo lindo, mas honestamente não tenho ideia do que é.

Perdão para uns é esquecer, para outros, mais que esquecer, é amar quem te magoou, ofendeu, desrespeitou. Mas esquecer pra mim é desculpar. Amar quem te magoou pra mim é simplesmente amar. Amar o ser humano independente de seus erros, acreditar que todo mundo tem algo bom, que todo mundo merece quantas chances forem necessárias para crescer como pessoa. Então não entendo! Perdoar é sinônimo de desculpar? de amar? é a conjugação dos dois?

Muitos já me disseram que perdão é um sentimento, algo que vem da alma. Mas não cabe na minha cabeça... Como consigo reconhecer sentimentos como felicidade, tristeza, amor, raiva, sem precisar de nenhuma definição e como os reconheci instantaneamente na primeira vez que os senti, mas não consigo fazer isso com o perdão? 

Aí minha razão me assombra: se é sentimento puro, eu não conseguir identificá-lo significa o que? Que não sou capaz de perdoar? Ou significa que na verdade perdão é sentimento mais razão, e eu tô perdendo é um desses elementos? Ou será que estou perdendo os dois elementos? 

Já estudei o que é o perdão para o catolicismo, para o espiritismo, para a psicologia, já cansei de repensar momentos de perdão que presenciei, e nada. Nadinha mesmo! Só consigo acumular mais perguntas. 

A conclusão que tenho por enquanto é que perdoar é uma característica de almas mais elevadas, e como não cheguei nesse patamar ainda, acabo com um nó na mente e no coração quando alguém me pede perdão ou quando alguém diz que eu deveria pedir perdão por algo que fiz.

Não sei como pedir perdão, e não sei como perdoar. Sei dizer as palavras, mas que adianta dizer sem saber o que é? É o mesmo que repetir uma frase em outro idioma sem saber o significado, é algo decorado, vazio, que você diz porque te ensinaram a dizer. 

Quantas vezes já pedi desculpas por erros? Milhares. Mas nunca pedi perdão. Como pedir por algo que nem sei o que é? 

Quantas vezes já me pediram perdão por algo e eu disse pra esquecer, porque não posso perdoar alguém, sabendo que implica uma ação que não sei o que é? 

Perguntas e mais perguntas... e mesmo sem respostas continuo a fazê-las, pois quem não duvida, nada sabe e nunca aprende. Por enquanto só aprendi que devemos perdoar até os que não nos pedem perdão, pois eles já sofrem o bastante com suas ações. 

Uma resposta, e muitas perguntas que geram outras. Quando as respostas das outras virão?! Quando minha alma e mente estiverem prontas para ela. Cabe a mim continuar perguntando, estudando e tentando compreender, um dia saberei o que é o perdão e como perdoar. Até lá, toda ajuda é bem vinda! 


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

DESISTIR TE FAZ FORTE

Aprendi quando era bem novinha que quando a gente começa uma coisa vai até o fim. Não se larga nada pela metade. Não se para no início nem no meio do caminho. Isso é errado, é sintoma de gente fraca, é falta de compromisso com a vida, é formar uma pessoa volátil que muda de ideia toda hora e nunca termina nada, é incentivar a pessoa a largar as coisas sempre que ficar difícil.

Terminei muita coisa que nunca pude nem escolher começar. Se era bom pra mim, eu tinha que fazer, chegar até o fim e sem reclamar porque poucos são os que podiam ter a oportunidade de fazer o que eu fiz. E assim cresci fazendo natação, balé, ginástica olímpica, jazz, aula de teclado, kumon de português, kumon de matemática, espanhol, inglês, francês, curso de informática, catecismo, coroação, aula de desenho e pintura, faculdade de direito, estágio e mais alguma coisa que já devo ter esquecido.

Não me entendam mal, muitas dessas coisas eu escolhi fazer, outras fui forçada, algumas foram fruto de uma troca, faço o que esperam e vocês me deixam fazer algo que quero. Terminei todas. Não pude desistir de nenhuma, nem das que tinha escolhido e não gostado.

Pareço uma reclamona ingrata né?! Me senti assim por anos. Até que um dia entendi que eu não tinha que me sentir culpada. As oportunidades, as lições aprendidas com elas formaram quem eu sou hoje, e talvez se não tivesse vivido isso não teria em mente hoje que SIM, EU POSSO DESISTIR! Isso não me torna fraca, indecisa, irresponsável. Isso me torna humana.

Aprendi que o mundo é muito grande pra gente fazer de tudo se tiver que ir até o final sempre. Que a gente pode começar um caminho visando um destino e no meio mudar a rota, às vezes pra outra mais curta, às vezes pra outra mais longa. A gente pode mudar o destino! A gente pode desistir quando e quantas vezes quiser! Desistir nos torna fortes, corajosos, apesar do que nos ensinaram. E sabe por quê? Porque fomos formados para continuarmos, porque sabemos que seremos julgados cada vez que "abandonarmos" algo, mas é exatamente aqui reside nossa força! É preciso muita força pra tomar uma decisão por nós mesmos, e não pelos outros, pelas aparências e pelo medo!

Minha conclusão então sobre desistir é simples: Tente, tente tudo o que quiser, pare quando não quiser mais! O mundo é muito grande e oferece muita coisa para você escolher só algumas e ir até o final de todas! Não ache que desistir te tornará volátil, te estimulará a largar tudo que ficar difícil um dia. A gente não larga o que nos faz feliz, não importa quão difícil seja. Somos capazes de seguir na dificuldade quando sabemos que no final seremos melhores, mais felizes ou faremos outros melhores e mais felizes. Esqueçam o julgamento que virá e nunca, nunca deixem de tentar com medo do fracasso!

Deixar de tentar por medo de falhar, de ter que desistir é sobreviver. Tentar, desistir ou chegar ao fim é viver!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sobre o que escrevo



Chega uma época na vida em que você descobre que não sabe nada do mundo, das pessoas, nada do que você tanto estudou, e o mais assustador, que você não sabe nada de você mesmo. E é exatamente sobre isso que vou escrever. 

Não tenho a pretensão de ensinar ninguém a ser feliz, o que fazer ou deixar de fazer. A única coisa que pretendo é mostrar a todas as almas que sentem que não pertencem a esse mundo, que não cabem nele, que são loucas, que são julgadas, que existem outras almas como vocês.  

Se um dia você já se sentiu perdido, assustado, com medo de tudo, com vontade de chutar o balde e sumir, e ao mesmo tempo já sentiu que tá tudo errado, com vontade de salvar o mundo, de dar o seu máximo para ser uma pessoa melhor e ajudar outras pessoas a serem melhores, você já entendeu do que esse blog trata.

Se você não entendeu não tem problema, eu explico, e quem sabe com o tempo você descubra que também já sentiu assim. Escrevo para sonhadores. O tipo mais raro de alma. Escrevo porque não quero perder a minha alma sonhadora, porque espero que se alguém ler aqui algum dia, também não se deixe ser engolido pela sobrevivência e esqueça de sonhar. 

Esse é meu espaço de separar sobrevivência de vivência. É uma forma de me lembrar quem sou quando eu esquecer, de me dar forças pra seguir quando tudo parecer não fazer sentido, uma forma de manter e renovar a fé na humanidade. 

Não esperem respostas sobre a vida, quem sou pra isso?! Não esperem um manual de sobrevivência na sociedade. Esperem perguntas, debates interiores, dúvidas, e a vontade de construir um mundo melhor. Esperem uma alma aberta, que reconhece seus erros e fracassos, que tenta não julgar, que não acha que desistir é para fracos, que admira quem muda o caminho porque não é feliz nele, e que acredita que não existe certo ou errado, tudo ou nada, que o mundo não é preto no branco, mas sim cinza.  

Quem optar por ler um pedacinho dos meus pensamentos saibam que busco felicidade, autenticidade, amor, paz interior e um mundo melhor. Pretendo começar descobrindo quem sou, porque já sei quem não sou: não sou o que me formaram para ser, não sou o que esperam que eu seja.

Até agora só sei que sou uma pessoa que morre de medo de viver uma rotina que só terá fim com o fim da vida. Que desespera em pensar que viver e ser feliz é ter uma casa, um carro, investimentos e poupança, o mesmo emprego a vida toda, ter filhos perfeitos, ter o cônjuge perfeito, as férias dos sonhos, ser o melhor no que faz e saber exatamente o que te espera amanhã, depois de amanhã ou daqui a 20 anos. 

Sou uma pessoa que tem pânico de se perder no sistema e se contentar com isso, de juntar posses e bens, e perceber que quando aposentar e for desfrutar pelo que batalhou já é tarde demais... doenças já apareceram pra me impedir, problemas familiares também, cansaço, isso se eu chegar até lá, afinal nada me garante que chegarei a me aposentar. 

Esse é meu diário aberto a quem se interessar. Não é manual de auto ajuda, não é modelo, não são regras, é só a minha necessidade de escrever mesmo.