segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

E A CURIOSIDADE MAIS UMA VEZ MATOU O GATO

Ao acordar li uma notícia maravilhosa, uma menina que havia desaparecido há dois dias foi encontrada pela família. Quando vi isso agradeci profundamente a Deus.

O que me chamou atenção foram os comentários da notícia. Algumas pessoas queriam explicações do que havia acontecido, algumas davam a entender que as informações sobre o ocorrido não eram suficientes. E aí eu me peguei pensando, por que tanta curiosidade? A movimentação virtual foi um meio para ajudar a encontrar a garota, esse era o objetivo. Ela foi encontrada, objetivo cumprido. Por que as pessoas querem tanto saber o que aconteceu com ela nesse tempo? Saber os detalhes do que ela e a família passaram? Vontade de ajudar um pouco mais ou mera curiosidade? 

Se for a primeira opção acho válido a intenção, mas não a busca por detalhes em meios de comunicação públicos. Procure a família se você quiser e puder ajudar, mas saiba respeitar o espaço dela também. Não é porque você quer ajudar que a pessoa é obrigada a corresponder.

Se for a segunda opção, realmente não entendo. A publicidade dada ao desaparecimento foi para que o maior número possível de pessoas tivessem conhecimento do fato para ajudarem com informações caso se deparassem com ela, ou tivessem notícia dela depois da última informação que a família tinha antes de seu desaparecimento. 

Creio que em momento algum a família quis expor a menina, ou se comprometer a explicar depois o que havia acontecido. Ao mesmo tempo, creio que quem compartilhou a notícia o fez com a intenção de ajudar a família a encontrá-la, e sem esperar nada em troca, nem mesmo uma satisfação que vá além do que foi divulgado: ela foi encontrada, está com a família, estão tomando as providências necessárias. 

Por outro lado se alguém acha que tem "direito" de saber o que aconteceu em detalhes e quer uma satisfação, essa pessoa não pensou bem no impacto que a publicidade dessa informação poderia ter dependendo do que aconteceu nesses dois dias; não pensou que a garota e a família iam ter que reviver tudo sempre que entrassem na internet, que saíssem na rua, que fossem viver sua rotina no ambiente de trabalho e de estudo; talvez tenha esquecido de que atualmente uma vez divulgado algo, esse algo fica para sempre disponível ao mundo todo. 

E foi quando pensava nisso que me veio à cabeça o ditado "A curiosidade matou o gato". Nesse caso ela pode matar a paz alheia, a privacidade e intimidade alheia, perpetuar e renovar a dor alheia, pode matar um pedacinho da alma dessa menina, pode matar o desejo dela de deixar tudo o que lhe aconteceu para trás e de focar no agora. A curiosidade realmente pode matar o gato, cabe a nós saber controlá-la para deixar o gato viver.