Quantas vezes você já encontrou alguma pessoa e ficou com aquela sensação de "a gente já não se conhece?" E quantas pessoas já te disseram exatamente isso?
Quantas vezes você já sentiu que "seu anjo não bateu" ou "bateu demais" com o de certa pessoa?
Quantas vezes alguém já lhe parou na rua para dizer que você lembra alguém, mas que ela não sabe exatamente quem?
Bom, como já deu para perceber pelos meus outros textos sou uma pessoa que vive pela intuição, que confia nela, e que aprendeu a deixar de ser cética.
Não entendo tudo, não sei tudo, mas já aprendi a nunca ignorar uma intuição, um pressentimento, um sonho que parece algo a mais.
Muitos nunca pensaram sobre isso, muitos nunca se incomodaram com a constância que isso acontece, mas eu sim. Tentei ignorar, busquei explicação lógica, médica, científica, e acabei percebendo uma coisa no meu interior, além de tudo isso. Entendi que há algo que conecta almas além do tempo e espaço, e a forma que isso ocorreu conto agora.
Passar por todas as situações acima era algo comum para mim, eu achava engraçado, e nunca tinha parado para refletir, mas um certo dia, por um breve momento tudo mudou. Ouvi uma voz que despertou em mim algo indescritível, que vai além da nossa capacidade de expressão, e que me dizia que eu já o conhecia de longa data.
Quando o vi o sentimento ficou mais forte, mas era estranho pois eu não lembrava dele, era a primeira vez que o via, tinha certeza. Fiquei deslumbrada com aquilo que se agitava em mim, que me aquecia, que me fazia querer vê-lo nem que fosse por um minuto só para sentir aquilo de novo.
Ao mesmo tempo era tudo muito confuso. Não era nada que eu já tinha experimentado na vida e me assustava um pouco. Eu só o observava de longe, até o dia que ele se aproximou e perguntou meu nome, foi aí que eu soube, não era só eu que o reconhecia, ele também me reconhecia, e estava mais perdido do que eu.
Aos poucos começamos a nos aproximar e foi uns dias depois, quando ele me tocou pela primeira vez que eu finalmente entendi. A ligação que nós dividíamos por um segundo me tirou o ar, fez meu coração palpitar, fez uma onda de energia boa passar por mim. Esse dia marcou minha vida. Foi aí que tudo fez sentido. Eu entendi.
A confusão gerada pelo reconhecimento instantâneo despertado pela voz dele e a certeza de que não o havia visto antes fez sentido. Não era uma confusão. Na verdade era extremamente simples. Eu não conhecia a aparência dele, mas eu conhecia a essência dele, a alma dele.
No instante que ele me tocou tive uma memória de sentimento consciente pela primeira vez. Foi quando entendi que a gente tem memória não só do que está gravado em nossa mente, mas do que a gente sente, e essa é tão poderosa, tão vívida que ela ultrapassa o tempo e o espaço.
Eu não sabia que isso era possível, como era possível, até que comecei a juntar as peças de um quebra-cabeça que eu vinha montando e não conseguia terminar. Foi quando lembrei que eu já havia vivido com ele antes, por muito tempo, não podia lembrar da forma, da aparência, mas a lembrança da alma era nítida.
Há séculos nos caminhamos juntos, e isso me fez ter certeza que existe algo muito além do que vivemos aqui, que como li outro dia em algum lugar "não somos seres terrenos passando por uma experiência espiritual, somos seres espirituais passando por uma experiência terrena".
Há coisas que ao passar do tempo e das reencarnações nós esquecemos, mas a nossa essência fica. As nossas ligações com outras almas permanecem, e variam conforme a intensidade de convivência e capacidade de ligação entre cada um de nós. Daí às vezes temos a impressão de que conhecemos alguém, de que nosso anjo não bateu com o da outra pessoa, e entendemos tudo quando reencontramos almas ligadas da forma mais intensa possível à nossa.
Se você já viveu algo parecido, você sabe do que estou falando. No meu caso foi com meu namorado, mas já vi acontecer com amigos e irmãos também. Se não, ao menos considere a possibilidade de que isso pode acontecer. Nada é mais belo, intenso, alegre, e grandioso.