Hoje quero começar a escrever sobre uma doença que enfrento há pouco mais de um ano. Por muito tempo tive vergonha de falar dela, mas agora falar me ajuda.
No início achava que eu não tinha nada, só cansaço acumulado. Dormia e esperava o "cansaço" ir embora. Com o tempo percebi que não era isso.
Passei a acreditar que eram meus hormônios bagunçados, por isso que eu chorava dias e noites sem saber porque e continuava a dormir tanto.
Depois de um tempo comecei a sentir um vazio no peito, um buraco que me engolia, que me sugava. Seguia minha rotina no automático, não pensava, criticava, nem sentia; simplesmente vivia em uma indiferença sem fim.
Quando as pessoas começaram a perceber algo errado fui me afastando delas, mantive de cia só meu namorado, que não entendia nada das minhas mudanças, vivia preocupado, fazendo de tudo pra me ver sorrir, mas eu não conseguia responder como antes.
Eu olhava pra ele e me perguntava por que eu? O que ele vê em mim? E buscava desesperadamente uma razão, mas não achava. Com isso vinham as horas de silêncio, os choros, olhares vazios, e, mesmo assim, ele não desistia de mim, lutava por mim todos os dias.
De repente passei uma semana sem falar com ninguém. Minha mãe não entendia nada. Me olhava com aquela cara de desespero de quem não sabia o que fazer. Meu amor me ligava dizia bom dia, eu te amo, e desligava. A noite ligava dizia boa noite, eu te amo e desligava. Nunca me pressionou para contar o que estava acontecendo. Ele sentia que tinha algo muito errado, mas não brigou, não apelou, nem cansou da situação. Sofreu calado porque apesar de não entender nada, sabia que eu precisava daquilo. A semana passou e finalmente ele me perguntou o que havia acontecido, e a minha única resposta foi: não sei.
Depois passei para a fase de culpa. Comecei a pensar no tanto que eu era fraca, pois eu tinha tudo. Uma família boa, ótimos amigos, um namorado que movia céus e terra por mim, então passei a me questionar das razões de eu estar insatisfeita com a vida. Cheguei à conclusão que era egoísmo, egocentrismo, ingratidão. Foi uma fase que passou da dor, para o ódio em relação a mim mesma e chegou ao ponto de eu questionar porque ainda estava viva. Desejava a cada dia que seguia deixar de existir.
Parei de sair de casa durante a semana, e no final de semana só queria ir pra casa do meu namorado deitar e ver TV. Na verdade só queria deitar mesmo. A TV não me interessava, assim como mais nada. Só queria abraçá-lo, sentir o cheirinho de tudo bem que vem dele, porque ele renovava minha vontade de viver, mas nem conversar direito com ele eu era capaz.
Foi nessa época que depois de dormir 17hs um dia e minha irmã me perguntar se eu estava doente, se queria ir ao hospital, que percebi que tinha algo errado. Foi quando notei que vinha passando meu último mês deitada na minha cama por 17hs ou mais por dia, que tinha dia que eu não comia - não tinha fome nem vontade -, não tomava banho com a mesma frequência mais, não lia mais, só dormia, e quando acordava não era capaz de mudar nem de posição na cama.
Todas essas fases duraram meses, muitos meses, mas quando meu pai me chamou e disse "filha tem algo errado com você, procura ajuda, que do jeito que tá não dá mais, procura uma psicologa antes que seja tarde demais", nossa foi um tapa na cara. Afinal se ele tinha notado, realmente eu estava perdendo o controle da situação.
No dia seguinte entendi que eu tinha chegado num ponto que ou eu desistia de mim de vez, ou eu lutava por mim, e que pra isso eu precisava de um médico para me dizer o que tinha de errado. Eu realmente não entendia, ainda achava que era fraqueza de espírito, coisa de menina mimada, ingrata, mas resolvi perguntar aos especialistas, afinal sozinha com minhas suposições eu não estava chegando a lugar algum, não conseguia nem criar vergonha na cara para parar de lamentar e de fazer os a minha volta pararem de sofrer.
É eu tinha algo, ainda tenho por sinal. E provavelmente você já sabe o que é. Mas a continuação fica para amanhã.
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