sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PORQUE O ORGULHO É INCOMPATÍVEL COM A BONDADE

Escrever sobre ser uma pessoa boa é algo difícil. É óbvio que todos tentamos ser uma alma bondosa. O problema é que o conceito de pessoa boa muda conforme a criação, educação, cultura local, e, até mesmo, com o tempo. Cada pessoa é boa de uma maneira própria e o que a leva ser assim interessa mais ao mundo do que o que ela faz de fato. Sabe por quê? Simples: quanto mais diversificada forem as ações, melhor para a sociedade. Cada um faz o que pode, na medida que pode.

Por isso não vou falar sobre quais práticas são boas, mas sim sobre as motivações das nossas atitudes "boas", quaisquer sejam elas. O porquê de agirmos de certa forma é fundamental por um motivo bem básico: se for altruísta a comunidade ganha e nós também; se for egoísta, ambos perdemos. 

Aí eu nos pergunto: O que nos estimula a fazer o bem? O nos faz acordar todos os dias e dizer para nós mesmos "hoje é mais um dia na minha caminhada de fazer o bem"? É pela vontade de ajudar o outro? Pelo desejo de nos tornarmos uma pessoa melhor? Ou por esperar algo em troca? Por pensar que "se faço o bem hoje, amanhã ele me será feito"? Por um sentimento de obrigação?

No primeiro caso - o altruísta - trabalhamos sem esperar nada em troca, nem mesmo um "muito obrigado", agimos porque sabemos que o importante é o que fazemos, e não se as pessoas vão ou não reconhecer, se elas irão ou não nos criticar, reclamar e assim por diante. No segundo caso - o egoísta - colocamos nosso ego, orgulho, necessidade de aprovação social à frente do nosso feito, do que ele significa e e em que resulta. 

Nossas condutas ao longo do tempo resultarão assim em duas hipóteses: (1) Independente do que ganhamos com nosso ato, não deixaremos de realizá-lo no futuro por falta de reconhecimento, ingratidão, ou abuso da nossa boa vontade pela outra parte. (2) Conforme nossas expectativas não vão sendo atendidas, deixaremos de realizar nossas atitudes boas.

O fato é que nós somos movidos por ambas as razões consoante as situações que nos deparamos. Não estou dizendo que por isso somos ruins, falsos, que não deveríamos fazer nada então. O que eu acredito na verdade é que não custa nada nos esforçarmos o máximo para sermos altruístas. Assim, não nos cansaremos ou deixaremos de lado os atos de bondade porque esperamos algo que não vem, porque ninguém vê o que realizamos, ou porque muitos abusam, alguns ridicularizam e outros nos criticam. E ao mesmo tempo não guardaremos mágoa, rancor e dor. 

Ao construirmos algo sem esperar contrapartida, não importa quanta ingratidão a gente encare, teremos um motivo maior para perpetuarmos nossas ações: paz no nosso coração e o bem da sociedade como um todo. 

E quando alguém nos dizer, ou quando pensarmos que estamos sendo "bonzinhos demais", fica a dica: não importa o que a pessoa faz com o que você faz por ela, isso daí já é problema dela, não seu. Não é motivo para você deixar de ser "bonzinho demais". 

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