O medo é um instinto fundamental para a sobrevivência. Ele é uma espécie de despertador que toca sempre que nos deparamos com uma situação de perigo para nos mostrar quando devemos recuar. E aí eu pergunto: como sabemos o que é ou não perigoso? Isso não é algo que se nasce sabendo. Se fosse, não teríamos crianças atravessando a rua na frente dos carros, colocando a mão no fogo, subindo na janela de um apartamento que se encontra no ultimo andar, correndo com tesouras na mão. A única resposta que encontro então é: alguém nos ensina, e nós ensinamos a outras pessoas.
É um ciclo, e até então tudo bem. Medo é algo bom, que nos coloca em segurança.
Eu só queria saber quando foi que as pessoas passaram a usar o medo para além de garantir a sobrevivência, avacalhar a vivência. É isso mesmo. No primeiro post expliquei que pra mim sobrevivência é uma coisa, vivência é outra. Então acho importante a gente aprender a separar as duas coisas para poder formar a nossa visão do que devemos ter medo, ao invés de só perpetuarmos o que nos foi passado, e começarmos a viver e não só sobreviver. E como fazer isso?
Pense, faça uma lista do que você teme: morrer? sofrer alguma violência? perder um ente querido? enlouquecer? de falhar em algo? de decepcionar alguém? de descobrir quem você é? de assumir quem você é? de expor sua opinião? de ficar doente? de terminar um relacionamento? de engordar tudo que você já emagreceu? de ficar careca? de matar alguém, mesmo que por acidente? de pintar ou cortar o cabelo e ficar horrível, e ter que enfrentar as pessoas comentando sobre você? de ser julgado por algo que você não é ou não fez? de não ter tempo pra fazer tudo o que quer? de não ter sucesso profissional? de ficar sozinho? de confiar nas pessoas? de ser ridicularizado? de errar? de não ser amado? de não amar?
A lista é imensa, e pra quem buscar viver, e viver bem, feliz, sugiro uma técnica que funciona pra mim. Faça a lista dos seus medos. Pegue um papel e faça duas colunas, uma chamada sobrevivência, e outra vivência. Na primeira você coloca os medos que podem ter por em risco e acabar com sua chance de sobreviver e de viver, por exemplo, medo de morrer por violência, queimado, afogado, medo de ser picado por uma cobra. Na segunda você coloca os medos que você desenvolveu por preconceito, por vergonha, por orgulho, que se acontecer, o máximo que será ferido será um desses sentimentos, mas que você vai se recuperar depois, por exemplo, medo de engordar, de ficar feio, de fracassar, de errar, de ser despedido, de ser ridicularizado.
Não se preocupe em listar tudo. Não mesmo, liste o que te assombra, o que te impede de fazer algo que você realmente quer, mas teme. Algo que te dá pesadelos a noite, que te faz passar por depressão, ansiedade. Liste os mais pesados. Separe-os, e você verá que a maioria deles estará na segunda coluna. E quando ver isso, lembre-se: medo foi feito para ajudar na sobrevivência, não para te impedir de viver, de ser autêntico, feliz, e nem para manter seu orgulho intacto, para te prender em uma jaula, para te encaixar na sociedade.
Quando você conseguir enxergar isso já terá dado o primeiro passo pra descobrir quem você é, e começará a entender porque você é uma alma deslocada, ou começará a se tornar uma, e verá que isso não é algo tão ruim assim, que muitas vezes te dá coragem pra ser feliz.
Por fim lembre-se: medo que assegura sua sobrevivência é saudável. Medo que avacalha a sua vivência é algo a ser desconstruído. E em relação a esse saiba que é exatamente quando ele bate que tá na hora de você agir, pois se permanecer parado, pode ficar estagnado pra sempre.
Acho que é isso mesmo. Medo que não seja para garantir a sobrevivência deveria ser tratado da mesma forma que medo de mula sem cabeça, saci Pererê e bicho papão porque eles não deveriam existir. Medo de não dar certo não existe porque ainda não aconteceu. Medo de ficar careca não existe porque ainda não aconteceu. Se ainda não existe porque eu tenho que ter medo?
ResponderExcluirÉ isso aí Walter! Você pegou minha humilde msg!
ExcluirTinha muito medo do futuro. Ficava pensando em como eu reagiria se uma determinada situação acontecesse comigo. Depois e muito tempo descobri que estava gastando energia a toa com uma coisa que eu nem tinha certeza que poderia acontecer. Com o tempo fui relaxando e hoje penso pouco nos meus medos. Hoje acredito que o medo está ligado a algo do futuro e eu não tenho como controla_lo (o futuro). Mas se eu ficar bem colado no presente eu vou conseguir fazer o máximo para não precisar ter medo do futuro. O que eu não conseguir fazer deve ficar por conta do meu destino.
ResponderExcluiré exatamente isso que eu busco! um dia chego lá!
Excluiré exatamente isso que eu busco! um dia chego lá!
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